Filosofia; Arte; História; Humanismo e Ecologia

31
Mai 09

Saudações:

 

Agora que se fala tanto em mudanças na educação para melhor, porque não começar a olhar de outra forma sistemas educativos que ainda são chamados de alternativos, mas que bem podem ser a chave para um maior humanismo daqueles que serão os adultos de amanhã.

Já que perdemos a capacidade de olhar para cima, para o trascendente de uma forma verdadeiramente elevada, pelo menos vamos olhar para o Homem de uma forma digna e, no processo pode ser que recordemos a amar todo o Universo, não pelas vantagens que nos pode proporcionar, mas porque dizer "Universo e Eu" é uma redundância.

 

 

Isto é o que propõe por exemplo a chamada pedagogia waldorf, onde o mais importante é a aprendizagem a longo prazo. É provavelmente o sistema pedagógico alternativo mais difundido e aceite pelo mundo fora. Em Portugal é mal conhecido e pouco explorado. E tem algo que ainda o torna bastante interessante do ponto de vista antropológico: Não é um sistema novo, mas sim de reciclagem dos sistemas de ensino da antiguidade, e que pode muito bem criar uma ponte entre os tempos presentes pouco esclarecidos e o futuro.

 

publicado por filósofo às 13:01

10
Mai 09

Saudações:

 

Aqui vão dois belíssimos poemas de Antero de Quental, um dos génios da geração de 70 do séc XIX português:

 

EVOLUÇÃO

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta...
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiqüíssimo inimigo...


Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paul, glauco pascigo...


Hoje sou homem e na sombra enorme
Vejo, a meus pés, a escada multiforme,
Que desce, em espirais, na imensidade...


Interrogo o infinito e às vezes choro...
Mas, estendendo as mãos no vácuo, adoro
E aspiro unicamente à liberdade.

 

 

PANTEÍSMO


I


Aspiração... desejo aberto todo
Numa ânsia insofrida e misteriosa...
A isto chamo eu vida: e, d’este modo,
Que mais importa a forma? Silenciosa
Uma mesma alma aspira à luz e ao espaço
Em homem igualmente e astro e rosa!
A própria fera, cujo incerto passo
Lá vaga nos algares da deveza,
Por certo entrevê Deus – seu olho baço
Foi feito para ver brilho e beleza...
E se ruge, é que a agita surdamente
Tia alma turva, ó grande natureza!
Sim, no rugido há uma vida ardente,
Uma energia íntima, tão santa
Como a que faz trinar ave inocente...
Há um desejo intenso, que alevanta
Ao mesmo tempo o coração ferino,
E o do ingênuo cantor que nos encanta...
Impulso universal! forte e divino,
Aonde quer que irrompa! e belo e augusto.
Quer se equilibre em paz no mudo hino
Dos astros imortais, quer no robusto
Seio do mar tumultuando brade,
Com um furor que se domina a custo;
Quer durma na fatal obscuridade
Da massa inerte, quer na mente humana
Sereno ascenda à luz da liberdade...
É sempre eterna vida, que dimana
Do centro universal, do foco intenso,
Que ora brilha sem véus, ora se empana...
É sempre o eterno gérmen, que suspenso
No oceano do Ser, em turbilhões
De ardor e luz, evolve, ínfimo e imenso!
Através de mil formas, mil visões,
O universal espírito palpita
Subindo na espiral das criações!
Ó formas! vidas! misteriosa escrita
Do poema indecifrável que na Terra
Faz de sombras e luz a Alma infinita!
Surgi, por céu, por mar, por vale e serra!
Rolai, ondas sem praia, confundindo
A paz eterna com a eterna guerra!
Rasgando o seio imenso, ide saindo
Do fundo tenebroso do Possível,
Onde as formas do Ser se estão fundindo...
Abre teu cálix, rosa imarcescícel!
Rocha, deixa banhar-te a onda clara!
Ergue tu, águia, o vôo inacesssível!
Ide! crescei sem medo! Não e avara
A alma eterna que em vós anda e palpita...
Onda, que vai e vem e nunca pára!
Em toda a forma o Espírito se agita!
O imóvel é um deus, que está sonhando
Com não sei que visão vaga, infinita...
Semeador de mundos, vai andando
E a cada passo uma seara basta
De vidas sob os pés lhe vem brotando!
Essência tenebrosa e pura... casta
E todavia ardente... eterno alento!
Teu sopro é que fecunda a esfera vasta...
Choras na voz do mar... cantas no vento...


II


Porque o vento, sabei-o, é pregador
Que através das soidões vai missionando
A eterna Lei do universal Amor.
Ouve-o rugir por essas praias, quando,
Feito tufão, se atira das montanhas,
Como um negro Titã, e vem bradando...
Que imensa voz! que prédicas estranhas!
E como freme com terrível vida
A asa que o libra em extensões tamanhas!
Ah! quando em pé no monte, e a face erguida
Para a banda do mar, escuto o vento
Que passa sobre mim a toda a brida,
Como o entendo então! e como atento
Lhe escuto o largo canto! e, sob o canto,
Que profundo e sublime pensamento!
Ei-lo o Ancião-dos-dias! ei-lo, o Santo,
Que já na solidão passava orando,
Quando inda o mundo era negrume e espanto!
Quando as formas o orbe tateando
Mal se sustinha e, incerto, se inclinava
Para o lado do abismo, vacilando;
Quando a Força, indecisa, se enroscava
Às espirais do Caos, longamente,
Da confusão primeira ainda escrava;
Já ele era então livre! e rijamente
Sacudia o Universo, que acordasse...
Já dominava o espaço, onipotente!
Ele viu o Princípio. A quanto nasce
Sabe o segredo, o gérmen misterioso.
Encarou o Inconsciente face a face,
Quando a Luz fecundou o Tenebroso.


III

 

Fecundou!... Se eu nas mãos tomo um punhado
Da poeira do chão, da triste areia,
E interrogo os arcanos o seu fado,
O pó cresce ante mim... engrossa... alteia...
E, com pasmo, nas mãos vejo que tenho
Um espírito! o pó tornou-se idéia!
Ó profunda visão! mistério estranho!
Há quem habita ali, e mudo e quedo
Invisível está... sendo tamanho!
Espera a hora de surgir sem medo,
Quando o deus encoberto se revele
Com a palavra o imortal segredo!
Surgir! surgir! é a ânsia que os impele
A quantos vão na estrada do infinito
Erguendo a pasmosíssima Babel!
Surgir! ser astro e flor! onda e granito!
Luz e sombra! Atração e pensamento!
Um mesmo nome em tudo está escrito
Eis quanto me ensinou a voz do vento.

 

Antero de Quental

publicado por filósofo às 20:31
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03
Mai 09

Saudações:

 

Investigadores da Universidad de Washington constataram empíricamente, que o poder da imaginação sobre o mundo físico é real. Os resultados das suas experiências demonstram que só o facto de imaginar uma postura tem efeitos semelhantes a assumir a postura realmente e que o poder da imaginação é mais do que uma metáfora.

 

 

Sugerem assim que a imaginação joga um papel decisivo na plasmação de acções na dimensão física da vida e que estas acções se prolongam até onde a nossa imaginação se extende.

 

Segundo os seus autores: A Imaginação tem a extraordinária capacidade de modelar a realidade.

 

Dito de várias maneiras é o mesmo que encontramos na antiguidade, por exemplo no pitagorismo e no budismo, onde uma psicologia profunda era estudada de forma a libertar a mente dos condicionalismos físicos a que uma vida demasiado materialista pode levar.Os nossos gestos tornaram-se mecánicos e esquecemos a grande capacidade de criar imagens e projectá-las de forma objectiva e altruista no mundo.

 

Podem ver a fonte em:

http://www.psychologicalscience.org/media/releases/2009/davoli.cfm

 

E o estudo que lhe deu origem:

http://www.artsci.wustl.edu/~rabrams/reprints/AbramsDavoliDuKnappPaull2008proofs.pdf

 

 

publicado por filósofo às 10:05

01
Mai 09

Uma criança pergunta à sua mãe:

 

- Mãe, como é que surgiu a raça humana?

 

A Mãe responde-lhe:

- Deus criou Adão e Eva e eles tiveram filhos e assim se formou a raça humana.

 

Alguns dias depois, a criança volta a fazer a mesma pergunta, mas desta vez ao seu pai, ao que este lhe responde:

- Há muitos anos existiram macacos que evoluiram até aos seres humanos da actualidade.

 

A criança muito confusa, vai ter com a sua mãe e diz-lhe:

- Mãe! Como é possível que tu digas que a raça humana foi criada por Deus e o meu Pai diga que evoluiu dos macacos?

 

A Mãe responde-lhe:

- Olha, é muito simples. Eu falei-te da minha família e ele falou-te da dele!

 


 

Para além da anedota, penso que de forma séria, tanto um hipótese como outra devem ser postas em causa, pois tal como aos poucos se tem vindo a demonstar, não reflectem na totalidade o caminho feito pela humanidade desde a sua origem até aos dias de hoje.

 

Poderemos excluir o creacionismo e o evolucionismo como teorias válidas ou ainda integrá-los numa cosmovisão muito mais ampla?

 

Vide "Design Inteligente"; "Teoria Gaia"; "Complexidade irredutível"; "Demiurgo Platónico"


19
Abr 09

" É necessário que o ser humano deixe de ter medo da chuva, dos rios dos outros seres humanos, da morte que na realidade pode nem sequer existir como a imaginámos, é necessário para ultrapassar a crise e promover uma mudança, ter a capacidade de investigar livremente nas antigas civilizações e nas novas ciências, que seja capaz de fazer uma arte nova que não se baseie nas modas, mas sim naquilo que sente no seu coração"

 

Jorge Angel Livraga

Filósofo e humanista argentino

publicado por filósofo às 14:29

Saudações:

 

Deixo aqui alguns excertos de uma conferência proferida na Nova Acrópole de Aveiro sobre o tema da crise e da possibilidade de esta oferecer uma (ou na realidade ser) oportunidade de mudança que deve ser aproveitada:

 

"A palavra crise na sua interpretação etimológica para além de outros conceitos, significa mudança e para superar o sentido avassalador destes momentos difíceis é necessário reconhecer que a nossa cultura não é única na história. Houve muitas outras civilizações com momentos de crise tão ou mais duros do que esta que vivemos agora e que conseguiram ultrapassá-los”

 

“ O aspecto económico é só uma das facetas de algo que já se vem a prenunciar há muito tempo, algo que conhecemos como crise de valores”

 

“Algo que tem contribuído para o estado de coisas actual é o pensamento absolutista de que política, ciência, religião, arte e tantas outras expressões da humanidade são estanques e valem unicamente por si, esquecendo que todas elas fazem parte de uma cosmovisão integral”

 

“Tal como a lagarta da borboleta passa por um estado de metamorfose que se chama de crisálida (algo assim como crise alada) para se transformar num belo ser, também as crises são momentos de transformação para o Homem”

 

“Tal como Narciso (no mito Grego) que enamorando-se da sua própria imagem e louvando a sua própria beleza ficou presa desta, nós os Homens ficamos presos da nossas próprias conquistas”

 

“Somos ensinados a evadir os problemas e não a enfrentá-los”

 

“Como associamos o bem-estar geral com o bem-estar económico e como fomos perdendo poder de compra e comodidades já adquiridas, entendemos a crise como uma catástrofe”

 

“ Não se trata de mudar governos ou estruturas, mas sim de uma mudança interior que mais tarde ou mais cedo se vai reflectir nessas estruturas”

 

“ Ainda que se fale de um futuro melhor, havemos de ter em consideração que o tempo presente também representou para os que nos precederam um ansiado futuro com comodidades e facilidades que só muito em parte se realizou. Cuidado com as expectativas baseadas na fantasia”

 

“Andar pela vida com indecisões não é natural, demonstra uma falta de resolução porque afinal a vida pode não ser tão longa quanto julgámos e andar ao sabor das modas pode deixar um grande amargo de boca, lá mais para o final da vida”

 

“Por mais humilde que pareça ser, todos podemos dar um contributo para desmistificar os sintomas da crise. Temos que ser corajosos para expressar as nossas convicções desde que dentro de um respeito pelas dos outros e até pode ser que se descubra que as nossas convicções e motivações não sejam assim tão diferentes. Mas para isso é preciso abrir-se para o mundo, dando-lhe o nosso melhor”

 

Um abraço para todos.

 

publicado por filósofo às 12:42

11
Mar 09

Artista que há vários anos vem encantando com as suas pinturas inspiradas em ideais espirituais e metafísicos, segundo ele próprio. A sua técnica é fantástica (pinta com várias camadas de acrílico) e não se pode ficar indiferente às suas imagens pois dão uma sensação de tranquilidade e ao mesmo tempo de uma vida fora do comum.

 

O site oficial é: http://gilbertwilliamsgallery.com

 

Veja-se alguns exemplos:

 

 

 

 

 

publicado por filósofo às 20:49

02
Fev 09

CONHECE-TE

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Segunda | Dia 09 de Fevereiro | 09h [Horário: 9h-10h30]

Segunda | Dia 09 de Fevereiro | 20h [Horário: 20h-22h]

 

INSCRIÇÕES ABERTAS

 

Morada da entidade promotora:

 

 

Nova Acrópole

Rua do Senhor dos Aflitos, Nº1 3800-260 Aveiro (perto da estação da C.P.)

Contactos: 234 382 081 | 931 783 234 | e-mail: aveiro@nova-acropole.pt

publicado por filósofo às 16:12

25
Jan 09

Uma professora, ao fim da tarde, quando corrigia as redacções dos seus alunos, leu uma que a deixou muito emocionada. O marido, que, nesse momento, acabava de entrar, viu-a a chorar e perguntou: "O que é que aconteceu?".

      Ela respondeu: "Lê isto".

      Era a redacção de um aluno.

 

      “Senhor, esta noite peço-te algo especial: transforma-me num televisor. Quero ocupar o lugar dele. Viver como vive a TV da minha casa. Ter um lugar especial para mim, e reunir a minha família à volta...

 

    Ser levado a sério quando falo... Quero ser o centro das
atenções e ser escutado sem interrupções nem perguntas.

 

    Quero receber o mesmo cuidado especial que a TV recebe
quando não funciona. E ter a companhia do meu pai quando ele chega a casa, mesmo quando está cansado. E que a minha mãe me procure quando estiver sozinha e aborrecida, em vez de me ignorar.

 

E ainda, que os meus irmãos lutem e batam para estar comigo. Quero sentir que a minha família deixa tudo de lado, de vez em quando, para
passar alguns momentos comigo. E, por fim, faz com que eu possa diverti-los a todos. Senhor, não te peço muito...

Só quero viver o que vive qualquer televisor".

 

Naquele momento, o marido da professora disse: "Meu Deus, coitado desse miúdo! Que pais!". E ela olhou-o e respondeu: "Esta redacção é do nosso filho".

 

publicado por filósofo às 18:40
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14
Jan 09

Saudações:

 

Este blog entrou no ar há pouco tempo.

Pelo seu conteúdo promete... é sobre matemática e geometria sagrada.

 

http://circulolimadefreitas.blogspot.com/

publicado por filósofo às 02:54

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