Filosofia; Arte; História; Humanismo e Ecologia

11
Out 09

Saudações:

 

No dia 9 de Outubro, duas naves embateram contra a superfície da lua na tentativa de descobrir água (segundo a NASA) numa missão chamada de LCROSS.

 

Muitas pessoas esperavam um espectáculo de encher o olho, mas na realidade as imagens foram um pouco diferentes, não dando para distinguir muito bem entre a superfície do nosso satélite natural e a poeira criada pelo impacto.

 

Duas reflexões me surgem:

 

1º - Muita da nossa ciência baseia-se (tal como a nossa sociedade actual) em actos de violência: colisão de partículas, testes dolorosos em seres vivos e agora também choque de foguetões contra a lua. Não será de admirar que, sentindo-se violentada, a natureza tome medidas defensivas em consonância. E nem sequer é preciso acreditar nas teorias que afirmam que a Terra é um ser vivo, assim como o Sol e outros planetas, é só uma questão de senso comum: se alguém vê a sua sobrevivência posta em risco por outrém e não vê nisso um desígnio superior, o mais normal é reagir.

 

2º - O nosso lado perverso se mostra insaciável perante espectáculos em que a violência é o ingrediente principal. Já não chegam as mortes em directo, agora é preciso um prato mais forte para satisfazer a nossa necessidade. Não digo isto de forma gratuita: nos vários sítios que visitei (oficiais e não oficiais) o tema dominante era a desilusão que o minúsculo efeito do embate tinha criado e não o verdadeiro objectivo da missão: descobrir água.

 

Não acredito sinceramente que a ciência tenha que ser violenta, nem que o ser humano tenha que demonstar perversidade, essas são só algumas das suas facetas mais escuras que não mostram verdadeiramente quem somos. Espero que um dia o possamos demonstar com a vivência plena dos nossos maiores ideais, não como honrosas excepções, mas sim como a tónica dominante. Que fraternidade, união, valor, honra não sejam palavras que qualquer pequena brisa possa arrastar, mas antes sólidos bastiões onde o Homem se possa ancorar.

 

Mas não nos preocupemos, afinal as coisas não vão assim tão mal, pois não...

 

 

publicado por filósofo às 19:32

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