Filosofia; Arte; História; Humanismo e Ecologia

04
Jun 08

Na actualidade, vemos o conceito de trabalho como uma obrigação, algo que devemos fazer para ganhar o pão de cada dia e num futuro poder ter direito à merecida reforma, por isso, muitas vezes, se vão acumulando vícios e maus hábitos que tornam o nosso trabalho extremamente ineficiente e difícil de suportar. E isto é péssimo porque uma grande fatia da nossa vida é passada em algum tipo de actividade laboral.

Esta não é uma visão economicista, nem sequer social, mas sim humana, já que, de uma maneira ou de outra, por vezes nos sentimos verdadeiros escravos dos nossos afazeres, como se fosse um castigo ou como se estivéssemos condenados, o que até está de acordo à muito provável origem etimológica da palavra: tripalium (Latim), palavra que era usada para designar um objecto de tortura, portanto, a sua acepção está conotada com sofrimento, dor e agonia.

É assim interessante ver como a ideia do voluntariado, que significa uma acção com vontade, diria até com boa vontade, leva a questionar o valor e o sentido do trabalho. Hoje é uma palavra que está em certa medida na moda, mas a atitude, a intenção por detrás, se é sincera e humilde, leva uma energia que rapidamente desgasta qualquer intuito passageiro. Seria como tomar consciência sobre a utilidade que o nosso trabalho e a nossa dedicação podem ter para a humanidade. Como diriam Kant e alguns antigos tratados orientais: Recta Acção feita na sequência de uma escolha livre e independente de qualquer pressão externa.

Foi sob esta égide que no dia 31 de Maio, a Ass. Cultural Nova Acrópole, regressou ao local do Braçal, em Sever do Vouga, com um grupo de Voluntários para realizar uma segunda limpeza ecológica na envolvente das antigas minas. Durante todo o dia, estes voluntários trabalharam, recolhendo lixo (electrodomésticos, colchões, latões, máquinas registradoras, plásticos, enfim, lixo “pesado”) apoiado por um carro dos bombeiros locais e uma carrinha da Câmara Municipal de Sever do Vouga, que lhes proporcionou retirar lixo das encostas. Esta actividade, proporcionou a todos um profundo bem-estar, e uma sensação de algum dever cumprido. O saldo do dia foi, sem dúvida, positivo, pois para a Natureza, pequeno ou grande, foi um espinho a menos.

É importante também, relevar o facto que de entre os voluntários estiveram duas crianças, que trabalharam com afinco dando o seu contributo e colocando desta forma no seu leque de opções para o dia-a-dia, atitudes de respeito para com a Natureza. Como dizia Pitágoras: “Educai as crianças e não será necessário castigar os Homens”.

Esta iniciativa está inserida na componente de voluntariado do curso KAIRÓS (que conta com o apoio do IPJ – Instituto Português da Juventude), formação gratuita para jovens dos 18 aos 30 anos, do qual faz parte o seguinte conteúdo programático: Filosofia Comparada do Oriente e Ocidente; Como Falar Bem em Público; Exercícios Práticos; Visitas Culturais; Relação do Homem com a Natureza; Voluntariado.

A Nova Acrópole é uma associação de carácter humanista, filosófico e sócio-cultural que desde a sua criação, em 1957, promove a Filosofia como conhecimento global, conjugando Ciência, Arte, Ética e Metafísica, num ideal de realização humana.

A sua participação na vida activa social, docente e profissional das distintas comunidades realiza-se através do voluntariado dos seus integrantes, com completa independência de interesses políticos, religiosos ou financeiros.

publicado por filósofo às 04:45

comentário:
Que hajam mais iniciativas destas, feitas com uma intenção recta e com boa disposição, mostrando que quando os trabalhos são feitos com a Alma é algo de mágico e gratificante.
Rurouni a 28 de Junho de 2008 às 13:59

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